De Fora da Área

André Flores e Cristiano Costa: gestão moderna e transparente nos clubes

Por André Flores (advogado e conselheiro do Inter) e Cristiano M. Costa (Ph. D. em Economia e sócio do Grêmio)
19/09/2014 - 10h25min
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Desde abril de 2014, os clubes de futebol estão obrigados a seguir as regras de transparência na gestão, disponibilizando informações econômicas e financeiras, contratos, patrocínios, direitos de imagem, propriedade intelectual e quaisquer outros aspectos de gestão aos seus associados (Nova Lei Pelé).

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Embora exista a exigência da lei, esta prática ainda é incipiente nos clubes de futebol. Uma breve olhada nos sites da dupla Gre-Nal evidencia a distância entre a lei e a realidade. O Balanço Patrimonial é uma das poucas informações disponíveis e, mesmo este, alijado de suas notas explicativas e de maiores detalhamentos.

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Não são disponibilizados termos dos contratos dos jogadores, que representam a maior parcela dos gastos dos clubes. Eles ficam convenientemente protegidos da Lei Pelé por meio de cláusulas de confidencialidade. Quando alguma informação vaza pela imprensa,  em geral se restringe ao valor dos vultosos salários, direitos federativos e o tempo do contrato.
O maior problema, além da falta de transparência, está na forma em que os termos desses contratos são escritos. Na liga de futebol americano (NFL, a maior e mais rica liga esportiva do mundo), por exemplo, os contratos têm uma parte garantida ao jogador, mas também uma parte variável, que depende de suas atuações e do desempenho do time em campo.
O contrato é apresentado ao público em seu valor total. Por exemplo, o consagrado quarterback Peyton Manning assinou em 2012 um contrato de cinco anos com o Denver Broncos. O valor total de US$ 96 milhões tinha apenas US$ 18 milhões garantidos, o restante dependia de exames médicos e de sua titularidade ao final de cada ano.

Temos dois exemplos comparativos recentes aqui na dupla Gre-Nal que mostram a distância do futebol brasileiro no quesito transparência e incentivos. O jogador Kleber Gladiador foi contratado ao final de 2011. Noticia-se que o valor gira em torno de R$ 500 mil mensais, por cinco anos. Isso, na verdade, representa um contrato de R$ 30 milhões, no qual 100% do valor é garantido.

Já no caso do jogador Forlán, os noticiários informaram que, por um contrato de quatro anos, o atleta receberia cerca de R$ 20 milhões, também totalmente garantido e sem vinculação ao desempenho em campo ou resultado esportivo. Em ambos os casos, a relação benefício-custo foi desfavorável aos clubes.

É preciso que os clubes brasileiros, em especial a dupla Gre-Nal, modernizem sua gestão e que os contratos dos atletas estejam vinculados aos objetivos institucionais e a metas de desempenho. Além disso, a relação com o sócio, que em última análise é o proprietário do clube evolua no sentido de dar mais transparência às decisões administrativas e de suas consequências financeiras para o futuro do clube.

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