Tênis

Multicampeão aos 12 anos, Gustavo Tedesco não tem pressa para se tornar ídolo do tênis brasileiro

Tenista que mora e treina em Caxias do Sul lidera o ranking nacional da sua categoria e não perde há mais de 50 jogos

17/02/2017 - 08h00min
Compartilhar:
Em 2016, Gustavo Tedesco conquistou três títulos de expressão nacional: Circuito Correios, Circuito Itaú e Copa Guga
Em 2016, Gustavo Tedesco conquistou três títulos de expressão nacional: Circuito Correios, Circuito Itaú e Copa Guga Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O nome de craque é mera coincidência. Porém, a trajetória desde cedo vencedora parece ser uma aproximação bem menos casual entre Gustavo Tedesco dos Santos e o ídolo maior do tênis brasileiro, Gustavo Kuerten. Aos 12 anos, o tenista nascido em Novo Hamburgo e que desde 2014 mora em Caxias do Sul lidera o ranking nacional na categoria da sua idade. Não perde uma partida de simples desde setembro do ano passado, sendo mais de 50 jogos consecutivos mandando para casa meninos cabisbaixos por não conseguirem conter o forehand que desponta como o principal golpe de seu jogo. 

Publicidade

No último fim de semana, Tedesco ergueu no Recreio da Juventude, onde treina, seu primeiro troféu do Banana Bowl, torneio que o próprio Guga conquistou em 1992, aos 14 anos. A condição de promessa do tênis gaúcho, contudo, vem de conquistas nacionais como a Copa Guga, o Circuito Correios e o Circuito Itaú, todas no ano passado. Nesta última, recebeu como prêmio uma viagem para Barcelona, onde por 15 dias Gustavo experimentou como treinam alguns dos melhores jovens tenistas do mundo.

O pai e treinador do garoto, Joceli dos Santos, 44, considera que a mudança para um grande centro será uma necessidade que o menino terá de encarar em breve, se quiser conviver entre os grandes tenistas.

— O clube nos oferece uma estrutura magnífica. Mas, se ele realmente quiser seguir, daqui a uns dois anos irá precisar de um centro de treinamento forte. Itajaí (SC) é o mais próximo. E logo mais terá de ir para a Europa, treinar em quadras rápidas. Nem isso dará a garantia de ser um profissional, porque é um esporte muito duro, por ser individual, e que também exige muito dinheiro. É importante ele continuar fazendo a parte dele, para que ali na frente a gente possa tentar o apoio para levar adiante esse sonho — ressalta Joceli. 

Nesta semana, o adolescente que tem como grande ídolo Rafael Nadal, mas que reconhece em Roger Federer o melhor de todos, está disputando o Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre, antiga Copa Gerdau, um dos torneios mais duros do país. Será mais um passo num caminho longo e incerto, mas que se for bem trilhado, pode dar ao Brasil um grande tenista para chamarmos de nosso outra vez. 

— Não fico passando a mão, nem iludindo. Estamos sempre corrigindo a movimentação, aperfeiçoando os golpes, expondo ele à pressão das competições. Se ele quer levar a sério, tem que ser assim. Se não quiser, é só ficar jogando os torneios regionais. Mas o potencial dele é gigantesco — atesta o pai, treinador e incentivador.

Notas boas na escola garantem grandes torneios 

A parceria entre pai e filho nas quadras vem desde que Gustavo tinha três anos e arriscava os primeiros golpes. Na verdade, desde recém-nascido ele já tinha em casa uma raquete de plástico para brincar e desenvolver a coordenação motora, requisito básico da formação do atleta. 

– Eu já nasci com a raquete na mão – brinca o multicampeão na categoria sub-12.

Tedesco ao lado do pai, treinador e incentivador Joceli dos Santos, no Recreio da JuventudeFoto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A paixão pelo esporte acompanhou a evolução técnica, garantida com pelo menos três horas diárias de treino todas as tardes. Pela manhã, Gustavo estuda na Escola Adventista, onde cursa o 7º ano. Se as notas não forem boas, o acordo com os pais é que ele pode até continuar treinando, mas não participará de torneios. Pelo menos até aqui, isso nunca foi problema.

– A escola me ajuda bastante. Os colegas e professores me incentivam e se interessam em saber meus resultados. E quando preciso, consigo mudar datas de provas e trabalhos. Nunca perdi uma avaliação por causa do tênis – diz Gustavo. Consciente de que o esporte é traiçoeiro e mesmo fenômenos mirins não têm sucesso garantido quando adultos, ele já tem um plano B:

– O tênis é a minha prioridade, mas eu também gosto muito de desenhar e tenho facilidade. Talvez faça uma faculdade de engenharia. 

Para Joceli, que parece separar bem as funções de pai e treinador, se o filho será ou não profissional é uma questão importante, mas não a principal:

– Mesmo que não dê em nada no futuro, me tranquiliza saber que a formação dele como pessoa, saindo da escola e passando as tardes comigo praticando esporte, está encaminhada.

Compartilhar:

Publicidade