Orquestra silenciada

Aldeia da Fraternidade recebe doações depois de ter instrumentos furtados

Na manhã desta quinta-feira, integrantes da Escola de Música fizeram um protesto silencioso contra o furto, que foi o terceiro em seis meses

Por Lara Ely
16/02/2017 - 13h42min
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Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Cerca de 15 crianças e adolescentes do projeto Educando com Arte realizaram uma apresentação silenciosa na manhã desta quinta-feira, em Porto Alegre. O ato foi um protesto pelo furto de mais de 30 instrumentosda sede da Aldeia da Fraternidade, onde fica a Escola de Música, na quarta-feira. Até o final da manhã, a entidade recebeu diversas ligações com ofertas de instrumentos, como piano, flauta, violão e teclados.

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Integrantes de orquestra, Diana Araújo e Luis Fabiano Klipel, ambos de 13 anos, estão chateados, mas não pretendem desistir de aprender música. O instrumento que tocam, o contrabaixo, foi o único que restou na sala de aula — talvez pelo tamanho, não tenha sido levado.

— A gente gosta muito daqui, porque aprende, se desafia, e também porque vê os outros evoluírem. Ficamos tristes com o que aconteceu, mas temos a esperança de que o projeto vai continuar — disse Diana.

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Silêncio, postura, seriedade: aulas na Aldeia ensinam mais do que tocar instrumentos musicaisFoto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Para eles, a oportunidade de aprender a tocar abre uma nova perspectiva: a de gostar de outros ritmos, fazer apresentações e experimentar-se como músico, podendo "sonhar com um futuro trabalho na área", diz Klipel.

Foi a partir dessa realidade que o atual coordenador do Educando com Arte, Josué Oliveira, chegou até lá. Quando criança, ele foi aluno do maestro Luiz André Silveira em um projeto social na zona norte de Porto Alegre. Após mais de cinco anos de estudo, decidiu fazer vestibular para Música, graduou-se e fez duas especializações na área. Formado, foi chamado pelo antigo professor a compor a equipe. Agora, quer dividir com outras crianças a paixão que transformou sua vida.

— A gente vem de uma realidade dura. Tive vários colegas que morreram, um por estar envolvido em assalto, outro por estar na hora e no lugar errados. Eu só queria ter uma vida tranquila, poder estudar e trabalhar com algo que gosto. E tive essa chance. Acho que temos de aproveitar quando uma oportunidade aparece, porque não é sempre, principalmente para essas crianças — diz.

Segundo ele, as aulas envolvem mais do que música:

— Ensinamos a ter comprometimento, ser educado, ter disciplina. A gente valoriza muito aqueles que se dedicam apesar das dificuldades. É isso que vai formar o caráter deles — completa. 

Dados para doação:
Fraternidade Cristã Espírita
CNPJ: 92882190/0001 -36
Banrisul
Banco: 0085
CC: 41118126.0-6
Informações: 51 32683313 / Whatsapp 51 992000220 

Armários onde estavam os violões e teclados eletrônicos ficaram vaziosFoto: Bruno Alencastro / Agencia RBS
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