Porto Alegre

Início dos depoimentos do suposto caso de homofobia em formatura é adiado para segunda-feira

Delegada Cristiane Pires Ramos tomará declarações do casal que denunciou suposto caso de homofobia em festa no Leopoldina Juvenil

Por Carlos Rollsing
11/08/2017 - 16h38min
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Marcus Vinicio Beccon (camisa preta) e Raul Weiss
Marcus Vinicio Beccon (camisa preta) e Raul Weiss Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

O suposto caso de homofobia que teria ocorrido em uma festa de formatura no salão Imperatriz do clube Leopoldina Juvenil, em Porto Alegre, ingressará na segunda-feira (14) na fase de depoimentos na Polícia Civil, que busca esclarecer os fatos, até agora narrados por duas visões antagônicas. 

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Os relatos dos denunciantes estava marcados para serem apresentados nesta sexta-feira (11) na Central de Termos Circunstanciados, junto à 13ª Delegacia de Polícia, no bairro Cavalhada. Os dois, no entanto, não compareceram e os advogados remarcaram para segunda-feira. A investigação é conduzida pela delegada Cristiane Pires Ramos. Ela explica que os eventuais delitos em análise são de lesão corporal leve e injúria.

O casal formado pelo empresário e psicólogo Marcus Vinicio Soares Beccon, 53 anos, e o estudante universitário Raul Silveira Weiss, 22 anos, diz ter sofrido agressões psicológicas, verbais e físicas motivadas por homofobia depois de trocarem um beijo na festa. Um dos supostos agressores, segundo os denunciantes, teria sido o empresário Pablo Beis, pai da formanda. Beis nega as acusações.

A delegada aguarda o resultado do exame de lesão corporal feito por Beccon ainda no último sábado, horas após a altercação ocorrida no salão do Leopoldina Juvenil. Também será requisitado o relatório feito pela equipe de cerimonial da festa, um documento produzido costumeiramente com o intuito de descrever eventuais problemas. Cristiane já recebeu as imagens das câmeras de segurança do clube. Não há registros das cercanias do bar, onde teria ocorrido o principal momento de atrito entre o casal e Beis. Neste ponto, no centro da pista de dança, também foram montadas as estruturas das equipes de som e iluminação da festa. Os vídeos mais nítidos são do saguão do Leopoldina Juvenil, última peça antes da porta de saída.

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A delegada também tomará, no início da próxima semana, as declarações de Beis. O advogado dele já fez contato colocando o cliente à disposição. Em entrevista à Rádio Gaúcha, Beis negou as supostas agressões e ofensas. Ele afirmou ter sido abordado por três vezes por Beccon, que teria exigido a identificação de quem havia lhe jogado bebida. Na última ocasião, relata o pai, ele estaria alterado, o que causou uma discussão mais acalorada. O pai da formanda ainda disse que Beccon foi puxado pelo namorado, com a intenção de retirá-lo da centro da tensão. Neste momento, o publicitário teria se desequilibrado e caído no chão.

Mais versões conflitantes seguem a partir desse ponto. Beccon diz ter sido agredido pelo pai e por outras pessoas. Depois, teria sido levado à força por seguranças. Beis refuta. Diz que tentou ajudar Beccon a se levantar. O convidado, ao perceber que era o pai quem lhe dava apoio, teria se jogado ao chão novamente. Por fim, ele teria levantado e ido embora sem ser importunado.

A delegada solicitará que as partes apresentem possíveis testemunhas. Se as imagens forem inconclusivas, ela explica que os depoimentos de outras pessoas poderão ser relevantes para tentar elucidar o caso.

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