Transporte estagnado

Sem BRT, especialistas apontam medidas paliativas para o trânsito em Porto Alegre

Faixas exclusivas para ônibus, cobrança de estacionamento e tarifa mais barata para coletivos estão entre as alternativas

Por Marcelo Gonzatto
11/08/2017 - 18h45min
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Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS

Com o BRT colocado em segundo plano no momento, especialistas entendem que resta adotar medidas paliativas que estimulem a adoção do transporte público e tornem o uso do carro menos interessante em zonas congestionadas de Porto Alegre. Na semana passada, a prefeitura revelou uma negociação com a Caixa a fim de destinar R$ 115 milhões originalmente reservados ao sistema de BRT (Bus Rapid Transit) para concluir obras viárias da Copa e de pavimentação e drenagem de mais duas vias

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Para o engenheiro Renato Petry, a melhor saída para a Capital enquanto o BRT não volta a acelerar é dar prioridade à circulação dos ônibus nas vias.

— É preciso reservar mais espaço para o ônibus. Em uma via com três faixas, por exemplo, com mais de 9,5 metros de largura, no mínimo uma faixa deve estar à disposição do transporte coletivo. Qualquer investimento em faixas exclusivas é barato, e o retorno para os usuários é significativo — observa Petry.

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O diretor do Programa de Cidades do WRI Brasil, Luis Antonio Lindau, observa que a cobrança pelo uso das vias também é uma forma viável de desestimular a proliferação de carros e favorecer o transporte de massa:

— O controle do estacionamento é importante para gerar recursos e controlar a mobilidade. Poderia ser atualizado o valor (da Área Azul), que hoje fica bem abaixo de estacionamentos privados.

ESTRATÉGIAS DE BAIXO CUSTO

Faixas exclusivas

O engenheiro Renato Petry sugere a destinação de faixas exclusivas para ônibus em mais vias da Capital, o que tem custo baixo, melhora o transporte público e desestimula o uso de automóvel.

— O ônibus transporta 70% dos passageiros e ocupa 20% da via, enquanto o automóvel particular transporta 20% e ocupa 70% das vias — observa Petry

Cobrança de estacionamento

Aumentar o valor cobrado para estacionar nas vias públicas e ampliar as zonas de cobrança seriam meios de o município desestimular o uso do carro e melhorar a arrecadação, segundo Luis Antonio Lindau, da WRI Brasil. Outra medida que poderia ser estudada é a cobrança de valores diferenciados conforme o bairro.

Taxa de congestionamento

Utilizada em algumas grandes cidades do mundo, a cobrança de uma taxa para o veículo ingressar em áreas congestionadas é uma alternativa para melhorar a mobilidade. Luis Antonio Lindau acredita, porém, que é uma política mais difícil de ser implementada por ser uma medida mais dura.

Tarifa barata

Professor da UFRGS e ex-diretor-presidente da EPTC, Luiz Afonso dos Santos Senna entende que o melhor a fazer é revisar o cálculo da tarifa de ônibus a fim de barateá-la o máximo possível para atrair mais usuários ao sistema e torná-lo equilibrado — inclusive revisando isenções, como propõe atualmente a prefeitura.

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