Ensaio do Tholl em sua sede, em Pelotas
Circo

Tholl sonha com sede definitiva e planeja turnê pela América Latina

Conheça os bastidores do centro de treinamento da trupe, em Pelotas

Por Fábio Prikladnicki 20/04/2017 - 19h15min · Atualizada em 20/04/2017 19h24min
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Quando os integrantes do Tholl ouvem a palavra de ordem "Concentra!", sabem que devem esquecer que há vida fora do circo. É a recomendação, quase uma ordem, do diretor João Bachilli ouvida no início do ensaio e repetida quantas vezes forem necessárias. Durante três horas de treino intenso, as expressões do diretor variam de um terminante "Começa tudo de novo!" até o lamento desolado de "Muito ruim, muito ruim...". E tome fôlego da tropa de elite do Tholl, que inclui artistas de 11 a 34 anos. À parte, Bachilli admite o perfeccionismo: "Na verdade, está tudo quase pronto".

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Grupo Tholl celebra 15 anos do primeiro espetáculo

Com fama de rigoroso, o diretor da trupe pelotense adquiriu o respeito de mais de uma geração de jovens criados na família Tholl, que hoje soma 153 pessoas, entre o elenco principal, que realiza as apresentações, e as turmas de aprendizes (crianças acima de seis anos) e os ainda menores do Tholl Kids (de três a cinco anos), além da equipe técnica por trás de tudo.

Bachilli foi quem comandou o ensaio acompanhado pela reportagem no centro de treinamento do Tholl em Pelotas, um galpão de 2 mil metros quadrados cedido há sete anos pela empresa de transporte Expresso Embaixador. É uma noite atípica, pois há três anos o grupo tem um ensaiador oficial, Diego Gouvêa, braço direito do diretor. É Gouvêa quem atesta:

– Quando conheci João, ele estava sempre com a sobrancelha enrugada. Hoje, não precisa mais falar alto para que o escutem. Não deixou de ser rígido, mas evoluiu com o grupo.

Quem ainda não visitou a sede do Tholl não faz ideia da movimentação que se passa por lá. Durante a tarde da última segunda-feira (17/4), crianças de uma escola de São Lourenço experimentavam as modalidades do circo, orientadas pelos artistas. Até uma professora ficou de cabeça para baixo. O ensaio do grupo principal começou no final da tarde, enquanto ainda se ouvia, do outro lado de uma parede, a algazarra das turmas dos aprendizes e do Tholl Kids. Em pouco tempo, todos estavam concentrados em suas atividades.

O grupo que fez tantos espectadores sonharem agora também tem um sonho: construir uma sede definitiva. Para isso, está mobilizando a prefeitura de Pelotas, a Câmara de Vereadores e empresários. A ideia é construir um complexo incluindo um teatro com capacidade de 900 a mil espectadores (a atual casa, emprestada, não tem sala de espetáculo), um centro de treinamento e o ateliê. Hoje, os figurinos são confeccionados em uma casa que o diretor cedeu ao grupo, localizada a algumas quadras do centro de treinamento.

– Estamos em um momento crucial – diz Bachilli. – Já cumprimos uma etapa e queremos dar um passo maior. Só que não conseguiremos fazer isso com a estrutura que temos. Precisamos de uma injeção de dinheiro, como ocorreu com o Cirque du Soleil.

Não é segredo que o grupo de entretenimento canadense foi a grande inspiração do Tholl, que agora busca sua identidade própria. Bachilli segue:

– Escutamos do público: "Já assisti ao Cirque du Soleil e vocês não perdem nada para eles". Daí eu penso: "Claro que perdemos". Se tivéssemos um décimo do financiamento deles, tenho certeza de que faríamos horrores.

Atualmente, o grupo é financiado por meio de cachês recebidos dos contratantes, bilheteria e editais – e conta com muitas parcerias. O orçamento é gerenciado com a arte do equilibrista. Mesmo assim, planos grandiosos vêm por aí. Está praticamente certa, embora ainda sem previsão de data, uma turnê pela América Latina sobre a qual o diretor prefere ainda não adiantar detalhes. Mas Pelotas continuará sendo a casa do Tholl.

– Não gosto da ideia de ter que estar em grandes centros para desenvolver um trabalho legal – pontua Bachilli. – Em Pelotas, os artistas têm uma vida mais sadia porque ficam perto de familiares, amigos e namorados.

Tholl planeja comemoração dos 15 anos do primeiro espetáculo

As sessões de Tholl, Imagem e Sonho em Porto Alegre – desta sexta (21/4) a domingo (23/4), no Theatro São Pedro – dão início às atividades pelos 15 anos de estreia do espetáculo que continuarão em Pelotas. Veja abaixo alguns dos destaques da programação deste ano e conheça projetos permanentes da trupe

Tholl Alegria
Projeto voluntário realizado desde 2011 em que artistas do grupo visitam hospitais e lares de idosos para levar lazer e descontração. Projeto contínuo

Tholl para Todos
A terceira edição do projeto terá oficinas circenses para crianças e jovens da zona rural de Pelotas. As edições anteriores foram realizadas em bairros distantes do centro. O objetivo é recreativo, mas talentos podem ser selecionados para integrar o Tholl. Durante o período letivo das escolas

Pequeno Encontro de Palhaços e Sensibilidades
O evento contará com oficinas para artistas da região e para o público escolar de Pelotas. Entre as atrações, estará uma "palhasseata" pelo centro da cidade, com números de palhaços. Haverá uma roda de conversa com artistas e um cabaré sobre o tema do projeto. De 25 a 27 de maio

Festa Junina dos 15 anos
Contará com atividades de circo e brincadeiras tradicionais das festas deste tipo. Em junho

Colônia de Férias de Inverno
Atividades circenses e de ginástica artística para crianças. É a primeira edição de inverno da colônia que tradicionalmente ocorre em janeiro. Em julho

2º Festival de Circo de Pelotas
Nova edição do evento bienal com espetáculos, oficinas e performances nas ruas, além de um cortejo circense. O encerramento será com uma apresentação de Tholl, Imagem e Sonho. De 10 a 15 de novembro

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