Fantaspoa

Começa nesta sexta-feira a 13ª edição do Fantaspoa

Evento ocorre até 4 de junho e destaca atrações fora da sala de exibição

Por Marcelo Perrone 19/05/2017 - 07h00min · Atualizada em 19/05/2017 13h46min
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No caminho trilhado para se tornar o maior e mais importante evento do gênero na América Latina, o Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre– Fantaspoa arregimentou espectadores fiéis na sua "comunidade efêmera", denominação para um agrupamento temporário de pessoas em razão de um objetivo comum. De hoje a 4 de junho, o Fantaspoa volta a aproximar em longas maratonas na sala escura espectadores aficionados por filmes de terror, suspense, ficção científica e fantasia que dificilmente serão lançados no circuito comercial.

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Seguindo a tendência que ganhou corpo nos últimos anos, o festival conta nessa sua 13ª edição com diferentes atrações paralelas às mostras competitivas de filmes e às sessões seguidas de debates com convidados internacionais e brasileiros: fora dos espaços de exibição, serão realizados cursos, palestras, exposição e festas temáticas.

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– A partir da nossa experiência nos festivais em outros países, observamos que aqui também se repetia o espírito agregador, em que os laços que se formam em razão de gostos e experiências comuns têm continuidade em outras atividades – diz João Pedro Fleck, responsável, com Nicolas Tonsho, pela organização e curadoria do Fantaspoa. – Uma vez, em Amsterdã, eu e um senhor espanhol viramos melhores amigos durante um festival, ao percebermos que escolhíamos os mesmos programas. Isso é o bacana nesses eventos, pessoas não se conhecem e descobrem que têm outras coisas em comum além da paixão pelo cinema.

O Fantaspoa 2017 terá como palcos dois espaços no centro da Capital, a Cinemateca Capitólio (Demétrio Ribeiro esquina Borges de Medeiros) e o Cine Santander (Sete de Setembro, 1.028), onde serão exibidos mais de cem filmes, entre longas e curtas-metragens de 30 países, com ingressos a R$ 10.

Entre as presenças internacionais em Porto Alegre, destaque para dois dos cineastas homenageados, Katt Shea e Bill Plympton, que apresentarão masterclasses gratuitas. Uma das mais importantes realizadoras do cinema de gênero, Katt já trabalhou com nomes como Brian De Palma e Roger Corman.

Com duas indicações ao Oscar no currículo, Plympton é um dos mais destacados realizadores de animação no mundo. Seu trabalho como cartunista foi consagrado em veículos como The New York Times, Rolling Stone e Vanity Fair – também assinou célebres vinhetas para a MTV. Estará na Capital ainda o diretor italiano Ruggero Deodato. Além de conversar com o público após a sessão de seu cultuado e polêmico Holocausto Canibal (1980), em sessão da meia-noite do dia 27, no Capitólio, Deodato apresentará ainda seu primeiro longa em 30 anos, Balada Sangrenta. Outra sessão para virar a madrugada será com o sul-africano Richard Stanley exibindo seu clássico Hardware – O Destruidor do Futuro (1990), dia 3 de junho.

Os filmes das diferentes mostras do Fantaspoa terão, quase todos, suas primeiras exibições na América Latina – alguns com première mundial. É um privilégio alcançado após o evento superar – em duração, número de títulos e presenças internacionais – festivais tradicionais como os de Buenos Aires e Cidade do México.

A mostra gaúcha é a única da região chancelada pela Méliès – European Fantastic Film Festivals Federation, entidade que congrega os 22 eventos mais importantes do gênero no mundo.

A exemplificar a qualidade dos filmes que passam pela Capital durante o Fantaspoa, estão longas que, nos últimos anos, foram indicados por seus países a disputar uma vaga no Oscar de filme estrangeiro: entre eles, o britânico falado em farsi Sob a Sombra, o austríaco Boa, Noite Mamãe, o russo Tigre Branco e o argentino Aballay, além do curta australiano vencedor da estatueta The Lost Thing.

– É difícil, entre tantos bons filmes, destacar apenas alguns – afirma Fleck. – Entre os imperdíveis, está o mexicano 1974: A Possessão de Altair (sessões no domingo, às 15h, e na quarta-feira, às 21h30min no Capitólio). O diretor (Victor Dryere, que estará aqui apresentando o filme na quarta) filmou tudo em Super-8, com a câmera na mão, de uma maneira impressionante, dadas as limitações que o suporte apresenta. Ganhou os prêmios de melhor diretor estreante e melhor longa latino-americano no Festival de Sitges (Espanha).

O Fantaspoa conta com patrocínio direto da Petrobras e, via lei de incentivo, do Banrisul e da Enerfín do Brasil.

Veja aqui a programação completa do festival, com dias e horários de exibição dos filmes em cada sala, sinopses, trailers e também a agenda de cursos, festas e outras atividades.

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