Formado em Letras, Braga trabalhou como crítico de teatro e cinema até envolver-se com a teledramaturgia
Por trás das tramas

Em "Donos da História", Gilberto Braga fala sobre a carreira de novelista

Autor de clássicos como "Dancin' Days" e "Anos Rebeldes", ele também comenta a importância de suas minisséries em momentos críticos do país 

19/05/2017 - 12h21min · Atualizada em 19/05/2017 12h26min
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Cenas antológicas, personagens de peso e tramas realistas com críticas sociais permeiam as criações de Gilberto Braga, convidado do episódio de Donos da História que vai ao ar neste domingo, às 18h30min, no canal Viva. Fernanda Montenegro, Nathalia Timberg, Antonio Fagundes e Malu Mader emocionam o homenageado, recordando memórias de suas parcerias. 

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Uma vasta e consagrada trajetória profissional acompanha o entrevistado, que confessa que, em alguns momentos da carreira, tomou atitudes oportunistas:

— Oportunismo é um defeito, mas como eu sei que sou, fiz muita análise para ter vergonha dos meus defeitos. Fui oportunista várias vezes na minha carreira, e acabou dando certo. 

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O carioca formou-se em Letras e trabalhou como crítico de teatro e cinema do jornal O Globo até descobrir a paixão pela teledramaturgia. Sua estreia como autor foi em 1972, quando escreveu um episódio de Caso Especial. A primeira telenovela veio dois anos depois: Corrida do Ouro, com a parceria dos já renomados Janete Clair e Lauro César Muniz.

Em 1975, ele também foi responsável pela adaptação de dois romances: Helena e Senhora. Com Escrava Isaura, em 1976, Gilberto Braga ganhou ainda mais notoriedade como autor de novelas. E tem uma visão generosa em relação à crítica dos telespectadores. 

— O público guarda mais o que é bom e esquece o que é ruim. A memória é muito afetuosa — comenta Gilberto, que desabafa sobre clássicos de sua carreira. 

Sônia Braga dançando em "Dancin' Days"Foto: Nelson Di Rago / TV Globo/Divulgação

Dancin' Days tem coisas horríveis, capítulos dos quais me envergonho. Mesmo Vale Tudo tem uma parte muito fraca. Já em Insensato Coração, isso não existe. Dificilmente terá um capítulo pelo qual vou me envergonhar.

Se Gilberto tem planos de escrever novamente para o horário das 21h? O dramaturgo explica:

— Já estou com 71 anos, acho uma responsabilidade muito grande. É muito tenso. A novela das 23h é mais fácil, porque tem menos censura, além de ser um número menor de capítulos.

"Anos Rebeldes" retratou o regime militar no BrasilFoto: Ver Descrição / Ver Descrição

As minisséries Anos Dourados (1986) e Anos Rebeldes (1992) também são um marco da trajetória do novelista, que enfatiza que a carreira é muito importante para o homem:

— Se a gente é feliz no trabalho, tem pelo menos metade da coisa resolvida. E eu fui muito feliz no meu. Apesar do sucesso das minisséries, devo o meu sucesso às novelas, que representam a minha carreira. O Daniel Filho tinha razão, eu tinha jeito para escrever novela.

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