Primeiras impressões

Confira o teste com o Captur, novo SUV da Renault 

Veículo francês se destaca pelo design e espaço interno. Câmbio de quatro marchas funciona bem na cidade, mas peca na estrada

Por Renato Gava
17/02/2017 - 16h47min
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Versão tem teto pintado de preto
Versão tem teto pintado de preto Foto: Renato Gava / Zero Hora

Um SUV urbano, mais tecnológico e melhor equipado que o Duster, com boas condições de agradar também o público feminino. Assim se mostrou o Renault Captur que começou a chegar às revendas e, quarta-feira, foi apresentado para a imprensa especializada. Jornalistas de todo o Brasil fizeram um teste de pelo menos 60km por ruas e estradas de São Paulo.

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O veículo brasileiro usa a plataforma do Duster (na Europa, a do Clio), mas há diferenças relevantes entre os dois irmãos. A carroceria tem linhas distintas - o Captur é mais moderno, bem menos quadradão. As suspensões são diferentes. O novo SUV teve uma trabalhada só para ele – usa algumas peças da parte de trás do Duster, mas ficou mais macio e, com a instalação de controles de tração (ESP), ganhou segurança, sobretudo nas curvas.

O visual é um dos pontos fortes. Com luzes de LED na frente e atrás, rodas diamantadas e detalhes cromados, os franceses conseguiram excelente design. No modelo branco, o teto preto deve agradar quem valoriza a estética automotiva. Ponteira do escapamento cromada e um friso abaixo do porta-malas (percorre quase toda a extensão do para-choque) dão, para quem olha de trás, a impressão de que o Captur é mais largo e imponente.

Espaço do interior é excelente, mas acabamento poderia ser melhorFoto: Renato Gava / Zero Hora

Na parte interna, a Renault não teve o mesmo desempenho. Puxadores de portas com desenho exclusivo, bancos e volante revestidos em couro são ótimos, mas o plástico, em geral, é bem duro. Não há luz no quebra-sol. O compartimento de luz no teto, na parte da frente, é bastante antiquado. E, para um SUV top de linha, com preço de R$ 88,5 mil, ter apenas uma saída USB (há ainda uma tomada 12v) é muito pouco. Poderia haver outra no console e em algum ponto para quem anda na parte de trás, onde falta ainda uma saída para o ar-condicionado. 

Menos mal que o novo quadro de instrumentos tem ótima leitura e desenho, com velocímetro digital e displays em formato de meia-lua de cada lado. O automóvel tem 13 computadores de bordo, quase o dobro dos sete do Duster. Em vez de chave, o fabricante optou por cartão de leitura que tem compartimento no painel, embora não precise ficar ali (só precisa estar dentro do veículo, como as chaves de veículos que também têm botão start/stop).  O sistema já é usado em outros veículos da marca

Rodas diamantadas são exclusivas da versão 2.0 Foto: Renato Gava / Zero Hora

Outro destaque é o espaço. O entre-eixos e o porta-malas são os maiores da categoria (no último quesito, empata com o Honda HR-V, com 437 litros), proporcionando mais espaço para as pernas. A posição de pilotagem é excelente, com todos os comandos à mão – inclusive o acesso às marchas, para quem quer fazer a troca manualmente em vez de deixar no automático. Falando em câmbio, eis o ponto que pode comprometer as vendas do novo carro.

TRANSMISSÃO

Mesmo que tenha colocado tecnologias como controle de tração, de estabilidade e de rampa do Captur, a montadora insiste no câmbio de quatro marchas – até o final do semestre, disponibilizará uma versão 1.6 com câmbio CVT. Na cidade, ele não faz feio. No para-e-anda dos grandes centros, não dá grandes trancos. Mas, na hora de pegar a estrada, a ausência de mais marchas cobra seu preço. O giro do motor sobe muito nas reduções, o que aumenta o consumo e causa ruído. É o que atrapalha o valente motor 2.0 16V, com 148 cavalos e desenvolvido nas pistas de Fórmula 1, categoria na qual a marca já conquistou 12 títulos mundiais.

Em matéria de segurança, todas as versões saem de fábrica com quatro airbags e controle de estabilidade (ESP) – esse importante item de segurança não pode ser desligado para encarar, por exemplo, trechos de lama, o que deixa claro a virtude mais urbana do veículo.O consumo de etanol é de 5,6 km/l na cidade e 9 km/l na estrada. Nem a função Eco nem o sistema de regeneração de energia, que alimenta a bateria do carro e contribui para uma economia de combustível de 2%, foram suficientes para deixar o SUV com melhor autonomia. Abastecido a gasolina, o consumo diminui 20%. 

Desenho da traseira deixou veículo com visual robustoFoto: Renato Gava / Zero Hora

VERSÃO 1.6

O teste apenas urbano com a versão 1.6, com câmbio manual, mostrou que o modelo de 120 cavalos não perde muito para o irmão maior se o uso é na cidade. O preço de R$ 78,9 mil pode avançar. Uum kit multimídia aumenta o preço em R$ 2 mil e inclui GPS e câmera de ré. A pintura em dois tons custa R$ 1,4 mil, fazendo o utilitário esportivo saltar para R$ 83 mil. O câmbio manual de cinco marchas responde bem. Mas a tendência é que a versão ganhe impulso quando receber o CVT, mesmo que a transmissão encareça em cerca de R$ 2 mil o veículo.

Grande frontal é menor que a da maioria dos concorrentesFoto: Renato Gava / Zero Hora

FICHA TÉCNICA

Motores: 1.6 SC e Intense 2.0 AT, ambos flex e com 16 válvulas.
Potência: 1.6, 118cv (120cv com etanol) a @ 5.500rpm. 2.0, 143cv (148cv com etanol) a @ 5.750rpm.
Torque: 1.6, 16,2kgfm a 4.000rpm (gasolina e etanol). 2.0, 20,2kgfm (20,9 kgfm com etanol) a 4.000rpm.
Roda: em alumínio, com pneus 215/60 e R17
Suspensões: dianteira tipo MacPherson, com triângulos inferiores, amortecedores hidráulicos telescópicos e molas helicoidais. A traseira é semi-independente com barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos verticais
Freios: Dois circuitos em "X", de acionamento hidráulico, com discos ventilados de 269mm na dianteira (na 2.0, 280mm) e tambores de 229mm na traseira
Direção: eletro-hidráulica, com diâmetro giro de 10,7m
Câmbio: 1.6, manual de cinco  velocidades. 2.0, automático de quatro marchas. Ainda neste semestre, segundo a Renault, haverá uma versão 1.6 com CVT
Porta-malas: 437
Peso (em ordem de marcha): 1.273kg a versão 1.6, 1.352kg a 2.0
Dimensões (mm): comprimento, 4.329; altura, 1.619; largura (sem retrovisores), 1.813;altura do solo, 212; Entre -eixos, 2.673
Ângulo de entrada e saída: 23° e 31º
Tanque: 50 litros
Aceleração 0 a 100 km/h: 1.6: 13,3s (g)) e 11,9s (e). 2.0: 12s (g) e 11,1s (e)
Velocidade máxima (km/h): 1.6: 168 (g) e 169 (e). 2.0: 174 (g) e 179 (e)
Consumo urbano (km/l): 1.6:: 7,6 (e) e 10,9 (g); 2.0: 6,2 (e) e 8,8 (g)
Consumo rodoviário (km/l): 1.6:: 8 (e) e 11,3 (g); 2.0: 7,3 (e) e 10,8 (g)

Itens de série: faróis elípticos com junta cromada, lanternas dianterias e traseiras de LED, ponteira de escapamento cromada, roda de liga leve aro 17", ar-condicionado, bancos traseiros com encosto e assento rebatível, chave-cartão (não tem chave), computador de bordo com seis funções, função Eco Mode, indicador de temperatura externa, indicador de troca de marcha, painel digital , piloto automático, porta-objeto no alto do cockpit e nas portas dianteiras e traseiras, retrovisores com regulagem elétrica e rebatíveis eletricamente, Sensor de estacionamento traseiro, volante com regulagem de altura, quatro airbags, alarme, assistente de subida (HSA), controle eletrônico de estabilidade (ESP), controle eletrônico de tração (ASR)ABS com AFU, Isofic; Bluetooth® para áudio e telefone, comando de áudio e celular na coluna de direção, Rádio 2-DIN com bluetooth, quatro falantes, USB e AUX.
Acréscimos da versão 2.0: bancos com revestimento em couro natural e sintético, ar automático, câmera de ré, sensores crepuscular e de chuva, faróis de neblina em LED com função cornering, sistema multimídia Media Nav com tela touchscreen 7'' e navegação GPS e 3D Sound by Arkamys com conexão USB e auxiliar, função Eco-Coaching e Eco-Scoring integradas ao Media Nav.

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