Enoturismo

Como é o passeio com degustação da vinícola Salton, na serra gaúcha

Acompanhamos o roteiro oferecido pelo estabelecimento, um dos mais clássicos de Bento Gonçalves

Por Claudia Lawisch
20/03/2017 - 18h27min
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Foto: Fabiano Mazzotti / Divulgação

Não é necessário ser grande conhecedor de vinhos e espumantes para que a visita a uma vinícola se torne interessante. Pelo contrário. Um passeio guiado com didatismo pode, além de esclarecer questões específicas aos bons entendedores, ser um gatilho para o despertar de novas paixões pelo assunto. Uma das oportunidades para tais descobertas está no tour pela Salton, na serra gaúcha, do qual participei recentemente.

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São diferentes tipos de roteiros disponíveis, e todos incluem a Galeria dos 100 anos, um espaço de arte com pinturas de Cristiano Fabris, artista local, que retrata a história da família. A trajetória vai desde a chegada de Antonio Domenico Salton a Bento Gonçalves, em 1878, passando pela fundação do negócio, em 1910, pela crise da década de 1980 — que forçou a venda de algumas terras —, até o momento em que a vinícola se firmou como uma das principais produtoras de espumantes do Brasil.

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A partir daí, os visitantes são apresentados aos variados passos da produção, em uma engrenagem que envolve 500 funcionários entre as unidades da Serra, da Fronteira e de São Paulo. O processo de seleção das uvas avança para prensa, fermentação e conservação. Ao final, a bebida é transformada em espumante ou vinho.

Tive a oportunidade de experimentar três desses produtos-base em fase de conservação, cada um guardado em um tanque de aço de 135 mil litros: um chardonnay da Serra, outro de Santana do Livramento e um pinot noir rosé (este, uma exclusividade oferecida ao nosso grupo e não disponível para roteiros de turistas). A experiência mostra um sabor intenso e rústico.

Entre os passos seguintes, está a produção dos espumantes, o carro-chefe da empresa, produzido pelos métodos charmat e champenoise, e dos vinhos finos. No charmat, a bebida fica nos tanques, onde é incluída a levedura responsável pela fermentação. Após o processo — cujo tempo varia para cada bebida —, o produto é engarrafado. No método champenoise, o princípio é o mesmo, porém a levedura é colocada dentro da própria garrafa, mudando a proporção entre líquido e sólido, resultando em um espumante completamente diferente.

Cave das Bordolesas da Vinícola SaltonFoto: Fabiano Mazzotti / Divulgação

Já para os vinhos, um ambiente climatizado abriga cerca de 2 mil barricas de carvalho vindas da França e dos Estados Unidos que guardam, cada uma, 225 litros de vinho tinto e branco. A bebida tem acompanhamento diário pelo tempo que for necessário. Um merlot, por exemplo, em geral, leva de seis meses a um ano para atingir a maturação, segundo o enólogo Gregório Salton, 27 anos. Mas não há regra, ressalta ele:

— O vinho é um ser vivo, cada safra é diferente, cada processo é diferente.

Os grandes tesouros da vinícola estão na chamada Cave da Evolução, um espaço charmoso e um tanto misterioso localizado a sete metros do chão que abriga os mais valiosos rótulos da marca. Guardados por anjos (literalmente) nas paredes, eles são o retrato das mais vitoriosas safras da vinícola. No final do labirinto, há uma grande mesa redonda que reúne pessoas em decisões ou comemorações importantes.

— Quisemos guardar aqui o que temos e tivemos de melhor — diz o presidente da empresa, Daniel Salton.

Os roteiros disponíveis

Tradicional
O passeio tem duração de 1h50min e custa R$ 30, com direito à degustação de seis produtos. Há um bônus para a compra de R$ 15. Só é necessário agendamento para grupos de mais de 10 pessoas.

Evolução
O passeio tem duração de 2h30min e custa R$ 80. A degustação é realizada na sala das Caves de Pedra. Os produtos são harmonizados com queijos e frutas secas. É necessário agendamento.

Ambos visitam vinhedos e relógio solar (exceto em caso de chuva), Galeria dos 100 anos, tanques de fermentação, autoclaves, Cave das Bordalesas, ala histórica, Cave da Evolução, engarrafamento e laboratórios. Mais informações sem salton.com.br.

*A repórter viajou a convite da Salton


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