Limpeza urbana

Sem pagamento para empresa de capina, mato cresce nas ruas de Porto Alegre

Empresa Ecopav, responsável por cortar vegetação em canteiros, interrompeu serviço enquanto não recebe verba da prefeitura

Por Bárbara Müller
25/01/2017 - 15h57min
Compartilhar:

Publicidade

Basta circular pelas ruas de Porto Alegre para notar a grama alta que toma conta das calçadas e dos canteiros da cidade. O serviço de capina não está sendo executado na Capital desde o início do ano. De acordo com a Ecopav — empresa responsável pelo trabalho —, a prefeitura ainda não efetuou o pagamento referente aos meses de outubro, novembro e dezembro do ano passado, que estava previsto para a última sexta-feira.

— Sem o repasse dos recursos, temos dificuldades financeiras para retomar o serviço. Não há condições de trabalho — afirma o vice-presidente da empresa, Luiz Alberto Poggi.

Veja também:
Fortunati "responde" a Marchezan antes mesmo de coletiva do prefeito
Desconto pelo aplicativo causa polêmica entre taxistas, mas número de usuários aumenta

Segundo ele, a Ecopav está em negociações com o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) e a Secretaria de Serviços Urbanos para que seja feito um plano emergencial e o serviço seja normalizado.

Foto: Bárbara Müller / Agência RBS

Enquanto isso, as ruas estão com conservação precária. A grama alta invade o espaço de pedestre nas calçadas, misturando-se com a rua. Em alguns locais, até as paradas de ônibus são tomadas pelo mato . Há quatro anos no ponto de táxi da Avenida Pedro Augusto de Bittencourt, o taxista Rodrigo Costa, 37 anos, comenta que ele e os colegas não esperam pelo serviço público para cuidar da manutenção do pedaço de grama que decora o local:

— A gente tem cortador de grama aqui e nós mesmos cuidamos. Não dá pra esperar, né? Tem várias ruas e praças da Capital que estão com a aparência de abandonadas.

De acordo com a aposentada Irene da Silva, 85 anos, moradora da zona sul da Capital, as calçadas do bairro Ipanema há um bom tempo não sabem o que é um serviço de capina:

— A grama está alta e não é de hoje!

Para a doméstica Beatriz Marques Espíndola, 40 anos, o problema é somente a falta de manutenção da grama:

— O lixo eles tiram, mas tem muito mato e aí acaba atrapalhando quem anda na calçada.

No dia 14 de janeiro, o diretor-geral do DMLU, Alexandre Friedrich, afirmou à Rádio Gaúcha que o contrato prevê o pagamento das faturas em até 90 dias, e que o prazo estaria sendo cumprido. Conforme ele, o órgão pretendia efetuar o repasse até o fim da semana passada — o que a empresa diz não ter ocorrido. Contatada por ZH, a Secretaria de Serviços Urbanos, responsável pelo DMLU, não confirmou o pagamento e ainda não informou as medidas que serão tomadas para resolver o impasse.


Compartilhar:

Publicidade