Menos verde

Quem arrancou as mudas de árvores do seu George?

Em uma madrugada, plantas cultivadas por aposentado de 88 anos foram arrancadas. No bairro Lindoia, há a suspeita de que vizinhos, temendo que bandidos se escondam nas árvores no futuro, sejam responsáveis

03/03/2017 - 16h49min
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A Praça das Flores, no Jardim Lindoia, recebe há anos os cuidados das mãos dedicadas de George Karpoousa, de 88 anos. Natural da Grécia, George aposentou-se do ofício de metalúrgico e, desde então, se dedica ao plantio de mudas de árvores frutíferas e medicinais no bairro. Foram 94 mudas plantadas desde 2015 na praça, além de outras nos canteiros da rua. 

Na noite de 28 de fevereiro, 50 dessas mudas deram lugar a covas vazias. As plantas, antes protegidas, viraram restos de folhas, galhos, garrafas e cabos quebrados. Algumas mudas, com raízes mais finas, foram arrancadas completamente.

— O que eles não conseguiram arrancar foi quebrado. Mas essas aqui, mais fortes, vão crescer novamente — acredita George, cujo amor ao verde foi retratado por ZH em 2014.

Dias depois do ataque, na manhã desta sexta-feira, ainda houve quem se surpreendesse com a falta das mudas. Enquanto George e seu genro conversavam com ZH, uma mulher parou o carro e puxou conversa:

— O que houve?

Diante da explicação, ofereceu ajuda para repor o verde perdido. Outros vizinhos se juntaram ao coro de "que pena" ao ver que pouco tinha sobrado das mudas — cada uma, escorada com cabos de vassoura e protegida em garrafas de plástico. 

Algumas plantas, com raízes mais profundas, sobreviveram. Mostram o trabalho de George, que mora a alguns passos da praça e viu na segurança das largas copas dos ipês, eucaliptos e coqueiros, já antigos no local, a oportunidade de expandir a flora da área.

Medo da violência teria motivado "atentado" 

Ele e um vizinho, João Pedro, suspeitam que outros moradores das redondezas foram responsáveis pelo ato de vandalismo. Para George, que pescou a hipótese em conversas pelo bairro, temem que, no futuro, árvores maiores sirvam para esconder ladrões. ZH conversou com vizinhos da praça, mas mas ninguém apontou culpados para o extermínio das mudas.

— É um absurdo sem fundamento, uma coisa que a gente não pode admitir. Eu penso em fazer uma placa e fixar na frente dos prédios, na volta da praça, lamentando alguém ter feito uma barbaridade dessas. São apenas plantas que seu George cuida de graça — lastima João Pedro.

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Algumas dessas árvores ainda eram pequenas, outras já haviam dado até frutos. Caso das figueiras, que George importou na bagagem depois de viagens à sua terra natal. Apesar da decepção de ver as plantas que cultiva em sua própria casa destruídas, ele persiste na ideia de deixar a praça, que seus filhos e netos frequentam, cheia de árvores bonitas, com flores e frutos. Quer plantar suas mudas em outros pontos da praça, longe dos olhos de quem não as vê bem.

— Eu quero continuar, mas depois disso eu vou plantar somente nos outros lados da praça, onde tem menos gente. Eu tenho quase 90 anos e estou fazendo amigos, não faço inimigos. Fiquei um pouco triste, mas deixa, o que vamos fazer? São as ideias de cada um. Não quero briga, não quero nada. Fiquei um pouco triste, mas passa.

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