Olhar Global

Maré de rejeição

Na América do Sul, crise econômica e impasse político combinam-se para minar popularidade de presidentes junto ao eleitorado

17/07/2017 - 14h34min · Atualizada em 17/07/2017 16h43min
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Economias em desarranjo e descrédito em relação aos políticos derrubaram os índices de aprovação a presidentes sul-americanos em pesquisas divulgadas nas últimas semanas. O mais recente atingido pela maré montante de impopularidade é Pedro Pablo Kuczynski, do Peru. Segundo levantamento do instituto Ipsos, publicado ontem pelo jornal El Comercio, de Lima, Kuczynski, que completará o primeiro ano de governo no dia 28, atingiu 58% de desaprovação neste mês, sete pontos percentuais acima do resultado de junho. 

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Macri (E) conversa com Trump durante a cúpula do G20, no último dia 7, em Hamburgo, AlemanhaFoto: John MACDOUGALL / AFP

Entre as razões apontadas pelos peruanos para rejeitar sua forma de governar, estão as percepções de que não se preocupa em melhorar a segurança (35%), não tem autoridade nem caráter forte para governar (34%) e não cumpre promessas de campanha (31%). Os que aprovam Kuczynski somaram 34%. 

No Chile, é ainda pior a situação da presidente Michelle Bachelet. Em pesquisa Plaza Pública/Cadem divulgada na segunda-feira passada, 64% dos entrevistados afirmaram desaprovar seu governo, contra 25% que o aprovaram.

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Já o presidente argentino, Mauricio Macri, viu a desaprovação a seu governo crescer de 52% em maio a 53,3% no mês passado, a maior cifra desde agosto do ano passado medida pelo instituto Gustavo Córdoba & Asociados. No mesmo intervalo, a aprovação caiu de 46,6% a 42,1%. A performance em declínio acompanha a queda na avaliação da imagem pessoal do presidente: de maio a junho, o percentual dos que afirmam ter uma visão negativa de Macri subiu de 46,1% para 52,4%. 

Com eleições provinciais marcadas para outubro, a Argentina deverá assistir a uma nova rodada de confronto entre o macrismo e a oposição, encabeçada pela ex-presidente peronista Cristina Kirchner– que continua a ser, porém, rejeitada por uma ampla fatia do eleitorado. ¿Os argentinos parecem estar desgostosos com a onda de reformas orientadas ao mercado patrocinadas por ele e que ainda não lograram prosperidade¿, afirmou o colunista Mac Margolis, da agência Bloomberg, em um texto intitulado ¿Mauricio Macri Deveria Estar Ficando Nervoso¿.

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