Lavagem de dinheiro

Justiça suspende funcionamento de lotéricas de bicheiro de Bagé

Estabelecimentos que seriam de Mario Kucera, preso na última terça-feira pela Polícia Civil, teriam sido utilizados para movimentar R$ 480 milhões não declarados

Por Carlos Rollsing
27/04/2017 - 17h21min
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Lotéricas que seriam de Kucera ficam no centro de Bagé, em pontos de grande circulação de pessoas
Lotéricas que seriam de Kucera ficam no centro de Bagé, em pontos de grande circulação de pessoas Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

A Vara Criminal de Santana do Livramento acatou solicitação da delegada Ana Tarouco, da Polícia Civil, e determinou a suspensão do credenciamento das lotéricas conveniadas do bicheiro Mário Kucera, de Bagé, com a Caixa Econômica Federal e o Banrisul. O Judiciário deverá fazer a notificação dos bancos.

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Kucera é apontado pela PC como o chefe da banca de jogo do bicho em Bagé, com ramificações em diversas cidades gaúchas da Campanha e do Noroeste. O dinheiro ilícito da jogatina seria lavado por ele em duas lotéricas da Caixa e uma loja com ponto de pagamento de contas do Banrisul, todas em região de grande circulação no centro de Bagé. Conforme a investigação, os três estabelecimentos estão em nome de supostos laranjas usados por Kucera, que teria admitido, em ligações grampeadas, ser o verdadeiro proprietário. Pelas contas das empresas e de outros prepostos, o bicheiro teria movimentado R$ 480 milhões não declarados nos quatro anos analisados pela investigação.

A delegada Ana Tarouco justificou seu pedido ao destacar que, enquanto "deixavam de fazer declaração de imposto de renda ou registravam pequenos ganhos, as lotéricas estavam movimentando milhões em suas contas". A volumosa circulação de dinheiro no sistema bancário foi descoberta a partir de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

Com a suspensão, os estabelecimentos não poderão ser mais operados por tempo indeterminado, ao menos até o fim do processo. Na terça-feira, Kucera foi o alvo principal da operação Deu Zebra. Desde então, ele está preso em Santana do Livramento, base das investigações, pelas suspeitas de exploração de jogo ilícito, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Investigada por jogo do bicho, família Kucera é uma das mais tradicionais de Bagé

O chefe de Polícia, Emerson Wendt, afirmou que a ação foi a maior ofensiva da história da instituição contra a lavagem de dinheiro no Rio Grande do Sul. A delegada tem prazo de dez dias para finalizar o inquérito e remeter os indiciamentos à Justiça.

Advogado de Kucera, Décio Lahorgue assegurou que o seu cliente é apenas empresário do jogo do bicho "há muitos anos" e refutou o uso de lotéricas para lavagem de dinheiro.

— Na verdade, ele (Kucera) tem banca de jogo do bicho. Tem coisas arroladas na investigação de quando o Mario Kucera era criança ou sequer era nascido. Essa investigação está cheia de falhas. Ele tem jogo do bicho e só, mais nada — disse Lahorgue.

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