Sem medo de ser feliz

Jovem de Novo Hamburgo faz dez cirurgias para ter olhos de coreanos

Apaixonado pela cultura asiática, Xiahn Nishi está há mais de um ano em processo de transformação

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Xiahn passou por dez cirurgias para ficar com olhos semelhantes aos de coreanos
Xiahn passou por dez cirurgias para ficar com olhos semelhantes aos de coreanos Foto: Xiahn Nishi / Arquivo pessoal

Cabelos escuros, pele clara e olhos puxados. Quem olha para Xiahn Nishi logo tem a impressão que se trata de um oriental vivendo em terras gaúchas. O jeito e a fala tranquila também lembram os povos do outro lado do mundo. O jovem de 25 anos, na verdade, é natural de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, e é um apaixonado pela cultura asiática, em especial, pela sul-coreana.

A paixão é tão grande que Xiahn – um jogo de letras para Max, seu nome original – não hesitou em passar por dez cirurgias nos olhos para ficar com a aparência de um oriental. A última foi no mês passado e deixou as pálpebras menores e mais suaves.

– Eu acho que agora sim eu estou lá, só preciso esperar desinchar para ter certeza do resultado final – afirma.

Xiahn conta que desde os 19 anos mantém a curiosidade pela cultura sul-coreana. Escuta K-pop, o pop coreano, e vê os “dramas coreanos”, como se fossem novelas aqui no Brasil. Antes, porém, tinha os príncipes da Disney como referencial. Tanto que o jovem, que tem descendência alemã, pintava os cabelos de loiro e usava lentes de contato azuis e verdes durante a adolescência.

– Para mim é normal mudar a aparência. Sempre foi assim – afirma.

O desejo de ter olhos puxados, característica marcante não só dos sul-coreanos, mas dos asiáticos de modo geral, veio depois que o hamburguense fez um intercâmbio de um ano na Universidade Dongseo, na Coreia do Sul. Lá, o contato diário com a cultura, considerada por ele “maravilhosa e única”, fez com que Xiahn nutrisse a vontade de se parecer, inclusive, fisicamente com os sul-coreanos.

De volta ao Brasil, Xiahn buscou um cirurgião plástico que fizesse as intervenções. Não foi fácil. O jovem conta que enviava para os médicos uma foto de como ele era e outra de como queria ficar. O referencial era ele mesmo.

– Eu colocava os dedos na parte interna do olho e puxava. Assim ficava do jeito que eu gostaria de ter os meus olhos – explica.

Dificuldade de encontrar um cirurgião

Na adolescência, Xiahn era fã dos príncipes loiros da Disney
Foto:Xiahn Nishi/ Acervo Pessoal


As fotos chocavam os cirurgiões que sempre respondiam os e-mails com uma resposta negativa. Foram necessários dezenas de contatos até que surgisse um disposto a ajudar. Xiahn lembra que o médico, hamburguense como ele, disse que não poderia fazer a cirurgia, mas que conhecia um amigo em Porto Alegre que certamente toparia. Sem hesitar, o jovem foi atrás do profissional, que nunca havia feito nada parecido, mas garantiu que o resultado seria exatamente o que ele queria.

– Eu não tive medo de que algo fosse dar errado, mas eu tive medo de ficar com cicatriz nos olhos e assim parecer que eu fiz plástica, mas deu tudo certo. Minha visão é perfeita – lembra, destacando que os procedimentos são reversíveis. – O médico me disse que se eu desistir ainda posso reverter.

Formado em Jogos Digitais no início desse ano, Xiahn passou pelas intervenções durante a faculdade. Ele também era estagiário em uma multinacional de tecnologia da informação, que fica em São Leopoldo. Nesse período, apenas os familiares e amigos próximos sabiam das cirurgias. Para esconder o inchaço, ele usava maquiagem e óculos.

Xiahn lembra que não foi fácil discutir com a mãe sobre o assunto. Formada em fisioterapia e com doutorado em medicina oriental, ela era contra qualquer tipo de intervenção que não fosse para a saúde do jovem. O pai, no entanto, apoiou.

– Quando fiz a primeira cirurgia eu nem falei que ia fazer. Só apareci em casa. Daí não tinha mais o que fazer – conta.

Das dez intervenções feitas por Xiahn apenas a primeira foi cirúrgica, os demais foram pequenos procedimentos feitos em consultório, segundo ele, para desenhar melhor a pálpebra. Ao todo, o jovem investiu R$ 7 mil para ficar com aparência de um sul-coreano.

“Famosinho” na internet

Fotos de Xiahn fazem sucesso na Internet
Foto:Xiahn Nishi/ Acervo Pessoal


Xiahn tem milhares de fãs na internet. Muitos surgiram depois que o jovem participou de um programa de televisão do centro do país. A maioria, entretanto, é de longa data. Desde que ele passou a fazer parte do Ulzzang Brasil, um conceito de moda coreana que dá o que falar entre os adeptos.

No Ulzzang pessoas com características ocidentais se vestem e se maquiam de forma a ficar parecida com os orientais, em especial, os sul-coreanos. A partir daí, são feitas selfies, autoretratos, postadas na internet, seja em páginas pessoais ou em blogs sobre o assunto. Com os “novos olhos” Xiahn se tornou o referencial brasileiro para o estilo.

– Com o Ulzzang eu fiquei famosinho na internet. É muito divertido – conta.

As fotos do jovem não renderam só fãs, mas também trabalho. Xiahn foi contratado por uma loja do Rio de Janeiro para ser modelo de uma marca que vende roupas online para quem é adepto do estilo. Para Heeyeon Jung, amiga e professora do idioma predileto do hamburguense, Xiahn ficou bem parecido com um coreano

– Ele está “bonitinho”– brinca.

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