15/01/2013 | 13h52m

Delito nas alturas

Pichador detido em Porto Alegre havia prometido parar com vandalismo após cair de prédio em 2011

Jovem de 21 anos tem 15 ocorrências na polícia por pichação e foi flagrado nesta madrugada atacando uma loja na Rua Doutor Flores

O pichador detido nesta madrugada no centro de Porto Alegre havia prometido parar com os atos de vandalismo após cair de um prédio em 2011.

Em 22 de dezembro daquele ano, Ismael Francisco de Souza, então com 20 anos, caiu de altura de 20 metros de um edifício residencial na Avenida Osvaldo Aranha. Até então, ele já havia pichado o prédio em outra oportunidade e havia sido responsável por atos de vandalismo em pelo menos sete estabelecimentos da Capital.

Em janeiro de 2012, a reportagem de Zero Hora apurou que os atos de vandalismo de Souza causaram prejuízos de cerca de R$ 100 mil aos proprietários de edifícios e estabelecimentos comerciais.

Hoje, cerca de um ano depois, já conta com 15 ocorrências por pichações no currículo. As informações são do 9º Batalhão de Polícia Militar (9ª BPM) e da 1ª Delegacia de Polícia Civil.

Nesta madrugada, o jovem foi detido junto com um companheiro, Paulo Matheus Freitas Pereira, 18 anos, pichando uma loja na Rua Doutor Flores. Como a dupla se negou a descer da marquise do prédio, o Corpo de Bombeiros foi acionado pela Guarda Municipal para levar uma escada magirus ao local, o que demorou cerca de uma hora.

Em vídeo, confira a ação dos vândalos:



Após serem detidos pela Brigada Militar, os vândalos assinaram um termo circunstanciado na 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (2ª DPPA) e foram liberados.

Confira a entrevista concedida a Zero Hora, por escrito já que estava impossibilitado de falar devido às fraturas da queda, em janeiro de 2012:

Zero Hora — A polícia diz que você lidera uma gangue. É verdade?
Ismael Francisco de Souza —
Não faço parte de gangue.Sempre escrevi sozinho.

ZH — A polícia diz que você pichou com eles no mínimo sete prédios.
Souza —
É possível que tenha escrito em mais de sete prédios.

ZH — A impunidade incentiva?
Souza—
Como não fui punido? Eu já apanhei da polícia,assinei diversos processos, servi à comunidade como pagamento, além das cestas básicas que paguei.Fui punido de acordo com a gravidade do dano.

ZH — Como você começou a pichar?
Souza —
Aos 16 anos, comecei a prestar atenção nas paredes. Via vários nomes. Comecei a me interessar.

ZH — O que significa pichar para você?
Souza —
Eu picho quando estou feliz, quando estou triste, picho por amor, por ódio, para homenagear alguém e também para denunciar algo que está errado.

ZH —Você vai parar?
Souza —
Eu pretendo parar. Só Deus sabe por que me deu uma segunda chance.


Leia mais:
> Confira a matéria de ZH sobre os atos de vandalismo



Punição com multa e pintura

Na batalha contra os vândalos, a prefeitura estuda enviar para a Câmara de Vereadores um projeto de lei para alterar o Código de Posturas do município. A legislação incluiria multa em dinheiro e a pintura do local pichado pelo infrator ou por sua família, em caso de adolescentes.

Como outras cidades gaúchas, a Capital decidiu investir no monitoramento eletrônico com mais de 300 câmeras e em informações dos próprios moradores para conter a ação de grupos de vândalos, conhecidos como bondes. Pelo menos 12 atuariam na região central, entre os bairros Centro, Cidade Baixa e Bom Fim.

O esforço não tem evitado que as pichações, no entanto, se multipliquem em bairros como Partenon e Azenha. Fachadas comerciais e prédios residenciais são os principais alvos.